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Por uma História das Mulheres

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POR UMA HISTÓRIA DAS MULHERES

Por: Rafael Carneiro

Ao nos depararmos  com a História e suas diversas possibilidades  historiográficas sobre inúmeros temas de pesquisa, estamos imediatamente adentrando em um campo complexo, onde as particularidades muita das vezes são deixadas de lado em prol de um método de pesquisa já estabelecido pela historiografia tradicional

Entretanto, quando o particular é interpretado como fonte histórica e o Historiador o vê deste âmbito, onde o universalismo é deixado de lado, se cria a possibilidade e por que não o privilégio de trazer à tona, aquilo que há muito foi deixado de lado, que é a visibilidade dos excluídos da História.

É neste  sentido que a Historiadora Maria Izilda S. Matos. Doutora em história pela Universidade de São Paulo e Professora Titúlar do Programa de Pós-Graduação em História da PUC-SP, onde a mesma recebeu o prêmio SECI-CNI de teses universitárias em 1994,  pelo trabalho Trama e Poder. Possibilita-nos a partir do de se livro Por uma História das Mulheres, olhar para o estudo do particular na história como também um estudo político.

Maria Izilda traz à tona, a mulher como agente histórica, ou seja, em Por uma História das Mulhres, a mulher é vista como sujeito dentro de seu respectivo contexto social, político e econômico.

Mas para isso, se faz necessário contextualizar o surgimento da mesma enquanto fonte de pesquisa,  e Maria Izilda o faz de forma erudita e ao mesmo tempo esteta, ela nos leva a percorrer todo o trajeto da mulher enquanto tema de pesquisa. Continue lendo »

Written by moravagine

maio 18, 2010 at 7:49 pm

Publicado em História, Resenhas

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O tempo e suas representatividades

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O TEMPO E SUAS REPRESENTATIVIDADES


ENSAIO POR RAFAEL CARNEIRO


Ao nos depararmos com o advento do tempo adentramos imediatamente em uma questão complexa, pois envolve elementos muitas das vezes deixados de lado ou até mesmo ignorados por parte do ocidente em especial, pois como sabemos o pensamento ocidental acaba por ter em seu cerne um posicionamento cartesiano em relação ao tempo diferente do continente africano, por exemplo, que percebe o tempo a partir de outra temática.

Ou seja, dentro do âmbito da cultura africana presente em países como Moçambique e Angola percebemos que os mesmos diferentemente do ocidente vivenciam um ambiente oral, ou seja, pela escrita ser algo recente no mesmo, toda expressão subjetiva e objetiva no continente africano se deu através da oralidade e do corpo. Sendo assim construindo todo um complexo emaranhado de possibilidades de entender e expressão da realidade através da fala, cantos, contos, danças e rituais.

O interessante é que sendo uma cultura baseada na oralidade o corpo acaba por ser uma espécie de templo no sentido de que o mesmo carrega em si toda uma representatividade para com a vida e para com a morte, ao contrario do ocidente cartesiano que percebe o corpo apenas como deslocador e nada mais.

Ainda caminhando nesta mesma problemática no âmbito da cultura africana adentramos na importância da cultura e na representatividade da mesma para com a comunidade em questão, onde a mesma por ser construída a partir de uma construção de identidade e manutenção de tradições através da oralidade se torna de vital importância a existências de figuras como  das crianças que seriam responsáveis pela perpetuação das tradições e das pessoas mais idosas representadas por espécies de líderes espirituais destas comunidades. Continue lendo »

Written by moravagine

fevereiro 15, 2010 at 5:07 am

Publicado em Outras portas

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Pateo do Collegio

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ENSAIO POR  RAFAEL CARNEIRO

INTRODUÇÃO

Quando nos vemos diante de elementos históricos que alimentam não só nossa história mas também nosso imaginário e nossa realidade, acabamos por muita das vezes não percebendo o mesmo como tendo em si  uma representatividade histórica ou nas palavras de Le Goff (um legado a memória coletiva). Ou seja, quando deixamos de olhar para um Monumento como memória coletiva e passamos a olhar o mesmo como um cadáver adiado que procria (Fernando Pessoa), estamos fazendo tabula rasa do passado no sentido de Jean Chesneaux.

Sendo assim ainda dentro da perspectiva de Le Goff se faz necessário que o olhar para com o monumento se estenda na perspectiva de ver no mesmo as manifestações históricas intrínsecas dentro do processo de sua existência, logo, perceber determinado monumento/documento como pertencente à esfera da memória coletiva de uma sociedade é adentrar na representatividade do mesmo no sentido de se desvencilhar da visão que percebe os marcos históricos representados através de monumentos/documentos  como restritos ao passado.

“O documento não é qualquer coisa que fica por contra do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder. Só a analise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva recuperá-lo ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa”[1]

Faz-se necessário assim um dialogo entre o passado e o futuro tendo como agente o homem, ou seja, perceber a história como a ciência dos homens através do tempo na perspectiva de Marc Bloch é olhar para a realidade e a partir dela ter a sensibilidade de visualizar nos mais diversos âmbitos a representatividade da memória coletiva.

Sendo assim quando nos vemos diante do livro Pateo do Collegio de Hernani Donato percebemos o quanto se faz presente à discussão em torno da problemática que envolve o monumento como monumento e suas respectivas praticas sócias, políticas, econômicas e subjetivas no âmbito do processo histórico.

Hernani Donato nasceu no ano de 1922 no dia 12 de outubro na cidade de Botucatu, entre outras atividades foi tradutor, escritor, jornalista, professor, ocupa também a cadeira número 20 da Academia Paulista de Letras. Estudou dramaturgia na Escola de Arte Dramática de São Paulo, também estou sociologia, porém não concluiu o curso em função de outros projetos pessoais.

No âmbito profissional foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, também foi colaborador de revistas como Veja, jornais e emissoras de TV como Tupi e Record, dentre sua vasta produção como escritor podemos citar Paulistas na Guerra do Sul, Provérbios Rurais Paulistas, A Revolução de 1932, este último ganhou o Prêmio Clio da Academia Paulista de História.

Em Pateo do Collegio (Coração de São Paulo), o autor nos apresenta de forma erudita e ao mesmo tempo esteta os detalhes que marcaram a fundação da cidade de São Paulo, onde por sua vez  o Pátio do Colégio como marco fundador da cidade se fez agente principal no cenário da obra. Ou seja, Donato partiu do principio da fundação da cidade de São Paulo em 1554 através do marco fundador da mesma e trilha o caminho desde marco até o começo do século XXI.

A importância da obra se da no sentido de que ao trilhar as permanências e rupturas do Pátio do Colégio nestes quase 500 anos ele tece um complexo leque em torno da representatividade do mesmo, criando assim uma identidade em torno do marco fundador da cidade, interessante se notar que mesmo a obra sendo construída de forma cronológica percorrendo um longo tempo histórico, a mesma carrega em sim surpresas e curiosidades que faz da leitura algo interessante… Continue lendo »

Written by moravagine

janeiro 28, 2010 at 1:52 am

Publicado em Outras portas

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A independência do Haiti

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Identidade como forma de Resistência

Ao nos depararmos com a revolta dos escravos africanos em São Domingos, estamos adentrando em um campo complexo, pois envolve não só a questão social e econômica no quais os africanos se encontravam na condição de escravo, mas também a questão da identidade do mesmo, a consciência de que não era aquilo que eles queriam para eles, logo de alguma forma procuravam uma forma de se libertar desta condição, a vida tribal que os mesmo tinham em suas respectivas tribos, suas tradições e costumes não iam sumir de uma hora para, mesmo estando em terras distantes.

A grande maioria dos africanos trazidos para a Ilha de São Domingos era da Costa da Guiné, onde se encontrava toda uma organização social, cultural e política por parte dos nativos. Logo se refletindo em uma identidade coletiva e individual em relação aos mesmos hábitos e costumes. É claro que havia mais de uma tribo, que consequentemente proporcionava uma grande diversidade tribal, mas em sua grande maioria todas elas tinham como pólo centralizador o Vodu, como religião, logo sem se perceber, havia uma identidade religiosa coletiva.

“Os escravagistas agiam predatoriamente nas Costa Guiné e, assim devastavam uma área, dirigiam-se para o Oeste e então para o Sul, década após década. Passaram pelo Nigér, desceram à Costa do Congo, atravessaram o Congo e Angola e deram à volta no Cabo da Boa Esperança, até chegarem, por volta de 1789, ao distante Moçambique, no lado oriental da África. A Guiné era seu principal território de caça”. (p.21) [1] .

Estes escravagistas viam os africanos como “peças” a serem levadas a alimentar o trafico de escravos e consequentemente a mão de obra escrava nas colônias. Mas isto não quer dizer que eles não tinham consciência da cultura e das tradições dos mesmos, eles podiam não aceitar ou até mesmo negar, mas tinham consciência, prova disto se dá em relação há arvore do esquecimento, onde antes de embarca no navio, o nativo tinha que dar nove volta nesta arvore, para não se lembrar de seu passado, ou seja, o traficante de escravos via o outro como mercadoria, mas este mesmo “outro”, tinha que deixar para trás todo o seu histórico de vida para trás. Continue lendo »

Written by moravagine

janeiro 15, 2010 at 10:24 am

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A oralidadade e suas particularidades no âmbito da cultura africana

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A TRADIÇÃO VIVA

 

RESENHA

Por: Rafael Carneiro

 

Ao nos debruçarmos sobre a questão da tradição estamos adentrando em um campo complexo, onde muitas das vezes a subjetividade se faz mais eficaz que a chamada “razão ocidental”, pois partindo da analise que cada individuo e consequentemente à cultura que faz parte, carrega dentro de si um mundo particular alimentado por sua vez  por um enorme leque de possibilidades e de experiências não só pessoais e coletivas, faz  do mesmo um agente particular que mesmo pertencente a uma coletividade, carrega os traços de sua autonomia representados nas suas respectivas ações no âmbito de seu cotidiano.

Neste sentido quando A. Hampaté Bâ nos apresenta a questão da Tradição viva na África, percebemos o quanto que é importante a representatividade do individuo para com sua tradição, no sentido do mesmo ser um agente em ação na manutenção da mesma, a partir das mais variadas formas de expressão culturais. Continue lendo »

Written by moravagine

novembro 30, 2009 at 11:59 pm

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