Tribuna na alcova

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Archive for the ‘Pintura’ Category

“A felicidade na escravidão”

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“…O acreditara, ou quisera acreditar, para se justificar, que Jacqueline fosse arredia. Foi só querer para ver que estava enganada. Os ares pudicos de Jacqueline, ao fechar a porta da saleta com o espelho, onde trocava de roupa, eram exatamente destinados a atiçar O, a estimulá-la a forçar uma porta escancarada que ela hesitava atravessar. Mas Jacqueline estava longe de imaginar que a decisão de O viesse, finalmente, de uma autoridade fora dela, e que não fosse o resultado dessa estratégia elementar. No começo, O se divertiu. Sentia um enorme prazer ao ajudar Jacqueline a ajeitar os cabelos quando, por exemplo, depois de tirar as roupas com as quais havia posado, Jacqueline punha a blusa de malha apertada no pescoço e o colar de turquesas da cor dos seus olhos; ao pensar que, naquela mesma noite, Sir Stephen ficaria sabendo de cada um dos gestos de Jacqueline, se ela havia deixado que O pegasse seus dois seios pequenos e afastados por cima da malha preta, se seus cílios, mais claros do que a pele, haviam tocado as maçãs do rosto ao abaixar as pálpebras, se ela gemera. Quando O a beijava, ela ficava pesada, imóvel e atenta nos seus braços, e deixava que sua boca fosse entreaberta e seus cabelos puxados para trás. Continue lendo »

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Written by moravagine

maio 24, 2010 at 9:09 pm

Publicado em Outras portas, Pintura

Caravaggio e o Barroco

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Ao nos depararmos com a questão da arte estamos imediatamente adentrando em um campo complexo onde muitas das vezes o particular é deixado de lado em prol de uma suposta unidade estética, ou seja, o advento da arte em si acaba por ser deixado de lado em função da funcionalidade da mesma enquanto ação histórica pertencente há um contexto especifico.

Sendo assim quando nos vemos diante de uma figura como Caravaggio, não podemos limitar nosso olhar definindo-o como um pintor pertencente ao barroco, pelo contrário, a presença de Caravaggio na esfera do barroco é nula comparada à figura artista que o mesmo foi, independente de sua representatividade histórica no mundo das artes e do contexto em volta do barroco, Caravaggio foi um artista que soube olhar para a realidade sem deixar de lado a subjetividade que todo individuo carrega dentro de sim.

“ O artista vive apenas do seu fôlego. Se este lhe falta, tudo desmorona. É assim que funciona o homem em relação à obra nascente.”[1]

Entretanto não podemos cair na armadilha de analisarmos a arte pela arte no sentido da mesma ser um fim em si mesma, é ingenuidade supor que o artista por mais genial que seja crie suas obras em uma redoma de vidro longe da realidade que o cerca, o mesmo pode até negar a realidade em que ele vive, mas de nada pode fazer com o fato dele pertencer à uma realidade que é historicamente definida. Continue lendo »

Written by moravagine

setembro 7, 2009 at 2:41 pm

Publicado em Pintura

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A arte e sua representatividade estética

Written by moravagine

junho 29, 2008 at 4:46 am

Publicado em Pintura

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