Tribuna na alcova

Just another WordPress.com weblog

Archive for the ‘Arte e Política’ Category

A Delinqüência Acadêmica

with 2 comments

A Delinqüência Acadêmica

Maurício Tragtenberg

O tema é amplo: a relação entre a dominação e o saber, a relação entre o intelectual e a universidade como instituição dominante ligada à dominação, a universidade antipovo.
A universidade está em crise. Isto ocorre porque a sociedade está em crise; através da crise da universidade é que os jovens funcionam detectando as contradições profundas do social, refletidas na universidade. A universidade não é algo tão essencial como a linguagem; ela é simplesmente uma instituição dominante ligada à dominação. Não é uma instituição neutra; é uma instituição de classe, onde as contradições de classe aparecem. Para obscurecer esses fatores ela desenvolve uma ideologia do saber neutro, científico, a neutralidade cultural e o mito de um saber “objetivo”, acima das contradições sociais. Continue lendo »

Written by moravagine

janeiro 2, 2011 at 6:48 pm

Analise da Proposta Curricular do Estado de São Paulo

leave a comment »

ANALISE CRITÍCA DA PROPOSTA CURRICULAR DO ESTADO DE SÃO PAULO

Por: Rafael Tadeu Moravagine Carneiro


“Acabar com a escola não significa  destruir a escola, mas sim acabar com o currículo que impõe uma carga de informação ociosa, em detrimento da criação de um ambiente de reflexão” (Fernando Carvalho citando Maurício Tragtenberg)

Os Incompreendidos, de François Truffaut

Ao nos depararmos com o advento da Educação estamos imediatamente em um campo complexo, onde muita das vezes as particularidades da mesma são deixadas de lado no sentido de não percebemos o quanto se faz necessário percebemos o ensino como algo multifacetado, ou seja, “é preciso substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une” como nos coloca Edgar Morin.

Neste sentido quando nos vemos diante da Proposta Curricular do Estado de São Paulo temos a oportunidade de trazermos a tona essa discussão que nos remete aos mais variados âmbitos de analise tanto no sentido objetivo quanto subjetivo.

Porém antes mesmo de adentrarmos no cerne da Proposta Curricular e conseqüentemente as brechas que a mesma nos fornece se faz necessário mesmo que de forma superficial visualizarmos alguns fatores que constituem o Currículo e suas perspectivas.

O currículo é antes de qualquer coisa uma espécie de organizador de práticas educacionais que por sua vez acaba por se moldar e se constituir como significado educativo através de reflexões que o mesmo faz em relação a esquemas como formativo, socializador, cultural, etc, ou seja, o currículo não pode ser visto como conceito e sim como algo que se configura e se constrói através dos mais variados elementos políticos e educacionais.

Neste sentido percebemos o currículo no sentido teórico como referencial na tentativa de se melhorar a qualidade do ensino, no aperfeiçoamento dos professores e das instituições escolares aonde saberes e metodologias diferentes acabam por fazer necessário uma nova forma de se comunicar para com os alunos. Porém é importante deixar claro que o Currículo Escolar não pode ser visto como “Um cadáver adiado que procria” como diz o verso do poeta português Fernando Pessoa. Pelo contrario, deve ser analisado como algo que pode ser construído culturalmente através de práticas educacionais objetivas e subjetivas que podem e devem ser multifacetadas no sentido de que quando partimos do pressuposto que o Currículo não pode ser visto como conceito e sim como construção cultural é no sentido de que a cultura não pode ser vista como algo puro e isolado e sim como vasos comunicantes dentro da perspectiva de Edward Said para com a representatividade do conceito de cultura. Continue lendo »

Written by moravagine

julho 20, 2010 at 3:14 pm

Publicado em Arte e Política

A vida verdadeira de Domingos Xavier

with 3 comments

Literatura Africana

Identidade e Cultura

Por: Rafael Tadeu Carneiro

Ao nos depararmos com a questão da literatura, estamos imediatamente adentrando em um campo complexo, pois a mesma é alimentada por questões sociais, culturais, econômicas, políticas e subjetivas.

Sendo assim ao analisarmos determinada obra literária estamos nos debruçando sobre fatores que vão além de rotulações estéticas, sendo assim, podemos afirmar que a literatura é uma das formas de se afirmar a cultura e a identidade de um povo, por outro lado a mesma também pode ser usada para negar e castrar outras.

Dentro deste âmbito de analise, percebemos ao analisar a obra de José Luandino Vieira (A vida Verdadeira de domingos Xavier), que a questão da identidade está presente de forma muito forte na obra do autor angolano, sendo assim, se faz necessário antes mesmo de adentrar nas especificidades da obra, uma maior clareza em torno do autor.

José Luandino Vieira é o pseudônimo literário de José Vieira Mateus da Graça, nasceu em 04 de maio de 1936, na Vila Nova de Ourém, em Portugal, aos três anos de idade se muda com a família para Angola.

Luandino no solo africano alimentará e lutará em prol da reafirmação da identidade angolana, para isso ele adentrará em questões que fazem parte da história, do cotidiano e do imaginário dos moradores de Luanda, sendo assim a permanência de Vieira junto aos musseques[1], será de grande importância para sua produção literária, porém a convivência do autor para com os bairros periféricos de Luanda se estende à questão literária, pois foi nos musseques que José Luandino Vieira se viu como angolano, e conseqüentemente, se viu no direito e na obrigação de lutar em prol da identidade de ser africano, de ser Angolano. Continue lendo »

Written by moravagine

outubro 7, 2009 at 5:53 pm

O olhar e suas representatividades

with one comment

Londres e Paris no século XIX:

O espetáculo da pobreza

Resenha

Rafael Carneiro

Ao nos depararmos com a história e suas diversas formas de analises, imediatamente estamos adentrando em um campo complexo, onde na maioria das vezes as particularidades que envolvem a mesma são deixadas de lado.

Neste sentido quando a questão da multidão é vista no âmbito da analise histórica, e a presença do individuo representado em seu respectivo cotidiano é colocado como algo constituído a partir de elementos culturais, sociais, subjetivos e historicamente definidos presentes na esfera do cotidiano no âmbito político, adentramos quase que imediatamente na representatividade que a multidão exerce na varias interpretações que se cria em torno da mesma.

Daí que se da à importância do trabalho de Maria Stella M. Bresciani, a autora de Londres e Paris no Século XIX: O Espetáculo da Pobreza é professora de História na Unicamp desde 1974, tendo participado da criação do Departamento e do Mestrado em História dessa Universidade. Graduada em História na FFLCH da USP onde obteve também o titulo de doutor, com uma tese sobre a formação do mercado de trabalho e a criação do Estado liberal republicano no Brasil.

Maria Stella, a partir de textos literários, investigadores sociais, médicos e administradores, percorre a questão da multidão no sentido de analise histórica, logo, nos possibilita ter acesso as varias imagens que os homens do século XIX, tem da sociedade, onde a questão da pobreza ganha uma maior visibilidade por está presente em todos os âmbito da sociedade, direta ou indiretamente.

O cerne de suas argumentações se dá em relação à representatividade da multidão para os literatos do século XIX, suas argumentações dão inicio tratando o fascínio e o terror presentes nas ruas de Paris, onde o reagir e não mais o agir toma proporções nunca vista antes.

Para isso usa em um primeiro momento do olhar estético de Charles Baudelaire para adentrar nas ruas e seus personagensNas ruas de Paris, milhares de pessoas andando em marcha rumo às necessidades presentes dentro de suas respectivas realidades, onde o grande centro serve de palco para esses deslocamentos, centro este que acaba por anular o individuo enquanto individuo, no sentido do mesmo ser visto apenas como uma massa que parece não perceber a realidade que o cerca, se tornando só mais um no meio da multidão. Continue lendo »

Written by moravagine

setembro 29, 2009 at 11:39 am

O dinheiro em Karl Marx

leave a comment »

Karl Marx

Karl Marx

Dinheiro

Ao nos depararmos com a questão do dinheiro, estamos adentrando em uma questão complexa, pois envolve não somente a questão do econômico, mas também a questão do dinheiro como ponte as necessidades básicas do ser humano.

Logo quando nos voltamos para o texto de Karl Marx, sobre o mesmo, vemos o quanto à questão do dinheiro e sua representatividade dentro de uma realidade histórica, é fator essencial na compreensão das atitudes praticas e teóricas do individuo.

Em Manuscritos Econômico-Filosóficos, percebemos que se trata de um Marx em transição, ou seja, se trata de um Marx que esta saindo de suas posições neo-hegeliana e passando para uma posição mais materialista, portanto se trata de um Marx em transição.

Marx vê o dinheiro como uma questão subjetiva e de contradição do individuo, pois o mesmo se vê e se afirma a partir daquilo que o dinheiro pode lhe oferecer, logo, o sujeito é o que ele tem o ter é mais que o ser.

Dentro desta perspectiva, podemos afirmar que o dinheiro como forma de representação das vontades do individuo é que faz o individuo se sentir individuo, mas sem sua condição de individuo, pois o mesmo é condicionado pelo poder do dinheiro, logo ele tem o que o dinheiro pode ter, ele é o que o dinheiro pode ter.

Mas isto não significa que o individuo enquanto ser, concentrará toda sua existência em torno do dinheiro, a questão levantada por Marx, é que mesmo sem perceber o individuo acaba por ser condicionado a ver o dinheiro como ponte de liberdade e felicidade. Continue lendo »

Written by moravagine

abril 30, 2008 at 12:00 am

Publicado em Arte e Política

Tagged with