Tribuna na alcova

Just another WordPress.com weblog

Archive for the ‘1’ Category

FESTA…

leave a comment »

APRESENTAÇÃO

Ao nos depararmos com a questão das festas e dos mitos estamos imediatamente adentrando em um campo complexo, onde muitas das vezes o subjetivo é deixado de lado em prol de uma visão cartesiana que limita e castra o multifacetado campo de analise que reside no âmbito não só das festas e dos mitos como também nos mais variados caminhos do estudo humano que a antropologia trilha.

Sendo assim é de extrema importância para que se possa adentrar neste multifacetado campo de pesquisa que é o das festas e dos mitos a leitura de autores como Roger Caillois e Pierre Smith, pois ambos dentro de suas respectivas particularidades apresentam em seus textos elementos que nos remetem a pensar a cultura, a religião, os mitos e as festas com outros olhos.

Roger Caillois nasceu no dia 03 de março de 1913 na França, formou-se em Antropologia e Sociologia na École Pratique de Hautes Études onde se aprofundou no campo do sagrado e conseqüentemente da religião no âmbito na religião. Porém é importante salientar que Caillois diferentemente de muitos intelectuais não se fechou dentro de um só campo de analise, o autor francês procurou diálogos com a literatura e com o jornalismo fazendo assim seu leque de possibilidades se estender nos mais variados âmbitos de analises.

Sua vida também não se restringiu à academia e ao gabinete, ambiente natural de muitos pensadores, adentrou na realidade social que o cercava da mesma maneira que adentrou em suas pesquisas, sendo de extrema-esquerda teve que fugir da França no final dos anos 30, escolheu como destino Argentina, pais este que foi o berço de muitas de suas analises e embrião de futuras.

Entre outras podemos destacar  o Instituto Francês de Buenos Aires, e no campo subjetivo seu afastamento do mundo acadêmico. Podemos dizer que Roger Caillois é o típico intelectual amador[1] no sentido descrito por Edward Said, teórico palestino que busca através de seu olhar e da interdisciplinaridade construir um dialogo entre seu posicionamento teórica, estético, político e subjetivo com a realidade com o cerca e para isso nunca se prendendo a regras e verdades absolutas.

O SAGRADO DE TRANSGRESÃO: A FESTA DE ROGER CAILLOIS E A NATUREZA DOS MITOS DE PIERRE SMITH

Quando nos vemos diante das festas e de sua representatividade estética, social e subjetiva percebemos o quanto a mesma é complexa no sentido de se analisar a mesma, pois de acordo com Roger Caillois as festas teriam como uma de suas finalidades a transgressão das regras, libertação mesmo que momentânea de elementos subjetivos do indivíduo que acabam adormecidos no cotidiano de suas respectivas realidades sociais e morais… Continue lendo »

Anúncios

Written by moravagine

janeiro 25, 2010 at 11:52 am

Publicado em 1

A independência do Haiti

leave a comment »

Identidade como forma de Resistência

Ao nos depararmos com a revolta dos escravos africanos em São Domingos, estamos adentrando em um campo complexo, pois envolve não só a questão social e econômica no quais os africanos se encontravam na condição de escravo, mas também a questão da identidade do mesmo, a consciência de que não era aquilo que eles queriam para eles, logo de alguma forma procuravam uma forma de se libertar desta condição, a vida tribal que os mesmo tinham em suas respectivas tribos, suas tradições e costumes não iam sumir de uma hora para, mesmo estando em terras distantes.

A grande maioria dos africanos trazidos para a Ilha de São Domingos era da Costa da Guiné, onde se encontrava toda uma organização social, cultural e política por parte dos nativos. Logo se refletindo em uma identidade coletiva e individual em relação aos mesmos hábitos e costumes. É claro que havia mais de uma tribo, que consequentemente proporcionava uma grande diversidade tribal, mas em sua grande maioria todas elas tinham como pólo centralizador o Vodu, como religião, logo sem se perceber, havia uma identidade religiosa coletiva.

“Os escravagistas agiam predatoriamente nas Costa Guiné e, assim devastavam uma área, dirigiam-se para o Oeste e então para o Sul, década após década. Passaram pelo Nigér, desceram à Costa do Congo, atravessaram o Congo e Angola e deram à volta no Cabo da Boa Esperança, até chegarem, por volta de 1789, ao distante Moçambique, no lado oriental da África. A Guiné era seu principal território de caça”. (p.21) [1] .

Estes escravagistas viam os africanos como “peças” a serem levadas a alimentar o trafico de escravos e consequentemente a mão de obra escrava nas colônias. Mas isto não quer dizer que eles não tinham consciência da cultura e das tradições dos mesmos, eles podiam não aceitar ou até mesmo negar, mas tinham consciência, prova disto se dá em relação há arvore do esquecimento, onde antes de embarca no navio, o nativo tinha que dar nove volta nesta arvore, para não se lembrar de seu passado, ou seja, o traficante de escravos via o outro como mercadoria, mas este mesmo “outro”, tinha que deixar para trás todo o seu histórico de vida para trás. Continue lendo »

Written by moravagine

janeiro 15, 2010 at 10:24 am

Publicado em 1

Tagged with ,

A oralidadade e suas particularidades no âmbito da cultura africana

leave a comment »

A TRADIÇÃO VIVA

 

RESENHA

Por: Rafael Carneiro

 

Ao nos debruçarmos sobre a questão da tradição estamos adentrando em um campo complexo, onde muitas das vezes a subjetividade se faz mais eficaz que a chamada “razão ocidental”, pois partindo da analise que cada individuo e consequentemente à cultura que faz parte, carrega dentro de si um mundo particular alimentado por sua vez  por um enorme leque de possibilidades e de experiências não só pessoais e coletivas, faz  do mesmo um agente particular que mesmo pertencente a uma coletividade, carrega os traços de sua autonomia representados nas suas respectivas ações no âmbito de seu cotidiano.

Neste sentido quando A. Hampaté Bâ nos apresenta a questão da Tradição viva na África, percebemos o quanto que é importante a representatividade do individuo para com sua tradição, no sentido do mesmo ser um agente em ação na manutenção da mesma, a partir das mais variadas formas de expressão culturais. Continue lendo »

Written by moravagine

novembro 30, 2009 at 11:59 pm

Publicado em 1

Tagged with , , ,

A virada cultural do Estado de São Paulo e suas representatividades no sentido da construção e manutenção de um discurso em relação ao espaço urbano

with 3 comments

Juan Carlo Moravagine Carneiro

INTRODUÇÃO

Quando nos vemos diante de elementos que estão distante de nossa realidade ou até mesmo longe do alcance de nosso olhar no sentido antropológico deixamos de lado elementos interessantes que são de vital importância para que se possa construir a possibilidade de perceber o diferente no âmbito de suas particularidades e não no estranhamento.

Ou seja, muita das vezes a identidade do outro como individuo é negada no sentido da mesma não pertencer à mesma do observador, logo se criando a construção de um estereotipo em relação ao sujeito e suas respectivas relações sociais e subjetivas.

O interessante dentro do âmbito desta problemática é que o observador acaba por cair na armadilha de não perceber o outro como sujeito, logo não adentra nas particularidades do mesmo se distanciando do mesmo através de uma construção de um pedestal onde ele (observador) se vê não pertencente à realidade do observado e quando há uma aproximação é no sentido de compreender como o outro consegue viver sem pertencer às mesmas regras sociais que ele pertence.

Como sabemos a realidade é construída historicamente, socialmente, economicamente, culturalmente e principalmente subjetivamente, logo a sociedade é multifacetada nos mais variados âmbitos de analise. Sendo assim a mesma acaba por abrigar estruturas pertencentes a uma moral que define o que é aceito e o q não é aceito, o que é bem vindo e o que não é bem vindo dentro da hierarquização que acaba por ser fazer presente a realidade em questão. Continue lendo »

Written by moravagine

setembro 17, 2009 at 7:18 am

Publicado em 1