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A virada cultural do Estado de São Paulo e suas representatividades no sentido da construção e manutenção de um discurso em relação ao espaço urbano

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Juan Carlo Moravagine Carneiro

INTRODUÇÃO

Quando nos vemos diante de elementos que estão distante de nossa realidade ou até mesmo longe do alcance de nosso olhar no sentido antropológico deixamos de lado elementos interessantes que são de vital importância para que se possa construir a possibilidade de perceber o diferente no âmbito de suas particularidades e não no estranhamento.

Ou seja, muita das vezes a identidade do outro como individuo é negada no sentido da mesma não pertencer à mesma do observador, logo se criando a construção de um estereotipo em relação ao sujeito e suas respectivas relações sociais e subjetivas.

O interessante dentro do âmbito desta problemática é que o observador acaba por cair na armadilha de não perceber o outro como sujeito, logo não adentra nas particularidades do mesmo se distanciando do mesmo através de uma construção de um pedestal onde ele (observador) se vê não pertencente à realidade do observado e quando há uma aproximação é no sentido de compreender como o outro consegue viver sem pertencer às mesmas regras sociais que ele pertence.

Como sabemos a realidade é construída historicamente, socialmente, economicamente, culturalmente e principalmente subjetivamente, logo a sociedade é multifacetada nos mais variados âmbitos de analise. Sendo assim a mesma acaba por abrigar estruturas pertencentes a uma moral que define o que é aceito e o q não é aceito, o que é bem vindo e o que não é bem vindo dentro da hierarquização que acaba por ser fazer presente a realidade em questão.

A construção da moral de uma sociedade se da através de um longo processo histórico que por sua vez não será abordada neste texto, porém é importante deixarmos claro que o não perceber, que o não se ver no outro enquanto individuo histórico pertencente a uma realidade histórica, se deu através de permanências que se fizeram presente no processo de histórico, cultural e subjetivo da humanidade.

O imaginário, as regras e a moral de uma sociedade se apresentam através da religião, da política, de normas, de certezas, hierarquia e as mesmas são estruturadas dentro dos mais variados âmbitos seja através da policia, da representação do poder, da fé institucionalizada, arquitetura, preconceitos e aceitações, logo o advento do novo, daquele que não se enquadra dentro das regras estabelecidas acaba por ser marginalizado, estigmatizado,reprimidoisolado, e até mesmo excluído da sociedade.

Logo quando pensamos em grandes centros urbanos adentramos imediatamente nas problemáticas que giram em torno da representatividade do mesmo enquanto pertencente a um discurso carregado de normas e regras que se materializa através das instituições públicas e privadas no cenário urbano de qualquer grande cidade.

Em São Paulo o advento do espaço urbano do grande centro ser normatilizado em e enquadrado dentro de planos políticos que por sua vez através de elaborações estéticas na arquitetura da cidade no sentido de fazer da mesma racional e funcional no âmbito do pensamento Haussmann que via a Modernização Urbana dos grandes centros como sinônimo de desenvolvimento econômico e cultural se faz presente de forma cada vez mais evidente e excludente  em nossos dias.

“Nas cidades modernas, manifestou-se um verdadeiro culto à mobilidade: as ruas e avenidas são largas e longas, dispostas de maneira a facilitar a circulação”[1].

Assim, o processo de modernização, racionalização e higienização da capital paulista que teve inicio no final do século XIX se faz presente hoje não só não estrutura da cidade como também no discurso e nas relações de poder e conseqüentemente a classe que os privilegia, ou seja, a marginalização, a exclusão de indivíduos e de grupos que não se enquadram dentro do projeto estético da cidade  e das normas, da moral e do posicionamento político dos detentores do poder  não se dá de forma inconsciente e sim através de um longo processo urbanístico e político que se deu na capital paulista.

A mesma necessidade que se fazia presente dentro do posicionamento do pensamento de Huassmann de enquadrar, normartilizar e urbanizar os grandes centros com o intuito não só da “modernização” mas também da exclusão da “vida” nos grandes centros adentrou todo o século XX e hoje ainda persiste no imaginário e nas praticas políticas e culturais de capitais como a de São Paulo.

Sendo assim, a cidade é vista dentro deste âmbito de analise como esfera material que representaria o progresso não só econômico, mas também cultural e social no sentido de que a capital seria uma espécie de espelho que refletiria toda a moral e as normas presentes dentro do imaginário da elite e do poder que a representa, logo, pensamentos como o da Higienização do século XIX e XX que tinha como intuito “limpar” a cidade de São Paulo de indivíduos indesejáveis dentro da perspectiva e da visão social e política que se fazia presente no discurso político – sanitarista de então, ainda habitam a realidade paulista.

Através das praticas sociais dos governantes, da repressão aos “indivíduos e grupos” indesejáveis, dos discursos moralistas, da normatilização de praticas preconceituosas, do afastamento do individuo dos grandes centros, do afastamento da periferia da capital paulista onde a mesma não é vista como entrelaçada a periferia e conseqüentemente os moradores das cidades mais afastadas são estigmatizados e não tem acesso a capital como espaço de lazer e sim apenas como espaço transitório no âmbito profissional, a estigmatização dos moradores de rua não só pela elite e pelo estado ma também pelos moradores das periferias,  e também minorias como um todo seja no âmbito sexual ou religiosa também fazem parte deste complexo emaranhado de práticas políticas, sócias, culturais, religiosas e subjetivas que se fazem presente nos grandes centros.

É neste sentido que o presente texto caminhara, nosso intento é a partir de uma realidade histórica constituída politicamente, economicamente, culturalmente, subjetivamente  adentrar na discussão em torno no Morador de Rua enquanto individuo que carrega dentro de si todo um mundo de particularidades, ou seja o mesmo como sujeito. Sendo assim tentaremos mostrar o quanto à marginalização do mesmo está intrinsecamente ligada à mentalidade da Higienização e dos grandes centros como espaços reservados ao “Progresso e ao belo”.

Adentraremos também mesmo que superficialmente no Morador de Rua e suas praticas de organização cultural e política no âmbito da resistência e na construção de uma identidade social-coletiva que se faz invisível aos olhos da grande maioria, ou seja, procuraremos dar visibilidade às práticas sociais do individuo enquanto morador de rua e por isso não menos sujeito histórico que qualquer outro, afinal, a arte moderna nasceu das mãos de indivíduos que habitavam os bancos dos metrôs de Paris e quando tinham e pegavam filas para a distribuição de sopas, o MASP (Museu de Arte do Estado de São Paulo), abriga quadros de muitos deles.

Para isso partiremos da experiência da Virada Cultural de São Paulo que ocorreu na primeira semana de maio de 2009, onde a presença enquanto observador dialogara com levantamentos teóricos no intuito de possibilitar a construção de uma problemática em torno do tema.

VIRADA CULTURAL

O advento da Virada Cultural se dá no sentido que a mesma ocorre exatamente no centro de São Paulo, a mesma que têm como duração 24 horas seguidas de atrações nos mais variados estilos de música, cinema, teatro, dança e artes em geral, se enquadra de forma surpreendente dentro da problemática existente em nossa discussão aqui levantada.

Isso se dá pelo motivo do evento estar ancorado dentro do contexto do ato transgressor de Roger Caillois, onde a festa teria como intuito a transgressão das regras, libertação espiritual e corporal mesmo que momentânea, contraponto com a realidade normativa e castradora presente no contexto da sociedade. Ainda dentro do posicionamento de Caillois, os excessos permitidos nas comemorações estariam dentro da lógica do ato transgressor como ato previsto e normartilizado pela ordem estabelecida.

Sendo assim as práticas sócias existentes dentro no âmbito do evento cultural na cidade de São Paulo teria em certo sentido o mesmo intuito do ato transgressor de Coillois, ou seja, o centro da cidade aberto ao público apenas uma vez por ano, com centenas de atrações, com uma longa duração, promovendo o excesso de um dia como compensador ao ano inteiro da cidade apenas como habitar do trabalho, desenvolvimento e hierarquização de normas e condutas.

Entretanto a virada cultural também pode ser vista e analisada do ponto de vista da diversidade cultural, onde o espaço urbano acaba por ser habitado por inúmeras tribos e indivíduos que por sua vez acabam por fazer do evento um ato transgressor em si. É claro que o advento das tribos como pertencente a um núcleo particular de regras e condutas faz surgir estranhamentos com outras tribos ou indivíduos, mesmo que a essência das mesmas na maioria das vezes esteja perdida e no geral mesmo sendo diferente esteticamente se tornam todos iguais no principio do príncipe eletrônico de Octavio Ianni.

Logo quando voltamos nosso olhar a um grupo social em especifico criamos a possibilidade de adentrarmos nas especificidades do mesmo enquanto organização social, política e cultural, temos consciência que o distanciamento  para com o objeto estudado se faz necessário do ponto de vista histórico, porém do ponto de vista antropológico talvez se faça necessário à experiência em Loco na tentativa de se ver no outro e não apenas observar o outro. O que estamos querendo dizer é que para se tornar possível à visualização das normas e condutas de determinado grupo se faz necessário fazer parte mesmo que temporariamente do mesmo.

É neste sentido que apresentaremos a seguir algumas indagações em relação aos Moradores de Rua presente na virada cultura da cidade do São Paulo e na medida do possível adentrar nas possibilidades e alternativas que os mesmo constroem para se organizar e constituir uma identidade individual e coletiva no espaço urbano da cidade.

MORADORES DE RUA

A MISÉRIA NÃO POUPA NINGUÉM

O espaço urbano da capital paulista como espaço restrito e hierarquizado em prol do estado e de suas respectivas concepções políticas e estéticas nos possibilidade perceber o quanto à presença dos moradores de rua na cidade se tornam uma questão complexa do ponto de vista social, histórico, antropológico e subjetivo. Sendo assim mesmo de forma superficial adentraremos no olhar em relação aos moradores de rua presentes na virada cultural.

A grande concentração de pessoas para um evento artístico organizado pela prefeitura do Estado de São Paulo nos possibilitou observar de que maneira as práticas sociais individuais e coletivas interagem diante do novo e do desconhecido. Muitas das pessoas que estiverem presentes na virada cultura não conheciam a cidade do ponto de vista estético e social no sentido de que se maravilharam e se chocaram com situações e realidades que fogem da vivida diariamente.

Neste sentido quando percebemos os moradores de rua como individuo que carrega consigo um leque de possibilidades subjetivas e intelectuais visualizamos o quanto os mesmos são marginalizados tanto pelo estado quanto pelo público de forma geral, onde o estranhamento diante do mesmo acaba por se materializar na forma da repressão e da visão do mesmo enquanto não pertencente a sociedade.

Sendo assim o espaço urbano habitado pelos mesmos acaba por ser visto como algo que incomoda não só o estado como também o individuo que alimenta o posicionamento mesmo que inconsciente da higienização dos espaços públicos. É importante salientar que este pensamento se estende a outras minorias como (homossexuais, bêbados, travestis, etc), logo podemos considerar estas minorias como grupos de resistência que independente na questão social acaba por resistir a normartilização  da sociedade nos mais variados âmbitos.

É claro que o morador de rua diante de uma realidade social acaba por se encontrar na situação que se encontra muita das vezes não por sua vontade e sim pelo funil social, econômico e político existente dentro da realidade em que vivemos, porém não podemos deixar de perceber aqueles que vivenciam está pratica por escolhe própria no sentido de se negar a viver uma determinada realidade que não condizia com a sua. Ou seja, a complexidade existente dentro do contexto do morador de rua é percebida não só nos motivos que fazem do mesmo estar na rua, mas também no sentido das praticas organizacionais e de sobrevivência que os mesmo alimentam em seu cotidiano.

Assim quando olhamos para o espaço urbano não podemos perceber o mesmo apenas como representado pelo pensamento de Huassmann e seus discípulos, temos que ter a sensibilidade de visualizar as brechas existentes no sentido antropológico que se encontra nas entrelinhas dos grandes centros.

Do ponto de vista político a Frente de Luta por Moradia (FLM), oMovimento Nacional da População de Rua (MNPR), entre outros são exemplos de como a organização social e política do morador de rua se constroem e se faz presente através de práticas políticas no âmbito da luta diária em prol de uma moradia. As ocupações que ocorrem no centro de São Paulo nos demonstram que observar o morador de rua através do estereotipo do sujeito sem perspectiva de vida é negar a construção de uma identidade por parte dos mesmos.

Outra realidade que merece ser mencionada é a dos albergues do centro, os mesmo que servem como abrigo para centenas de moradores de rua passarem a noite, são insuficientes para a quantidade de indivíduos que se encontram sem um teto, e mesmo assim  ainda percebemos praticas denunciadas por movimentos de moradores de rua que acusam o atual governo de tentar colocar em prática o plano de tirar os albergues do centro da cidade e transferi-los para as periferias da cidade, ou seja, a materialização do pensamento higienista ainda presente na capital paulista de se “livrar” dos indivíduos indesejáveis.

Outra dificuldade que os moradores de rua encontram se dá no sentido de que não tendo moradia acabam conseqüentemente não tendo comprovante de residência, logo impossibilitando aos mesmos recorrem a serviços oferecidos pelos órgãos da cidade e do estado de São Paulo. Podemos dizer que a presença do estado se faz presente para com o morador de rua somente através da repressão.

“O massacre do povo de rua continua na cidade de São Paulo. O povo ainda apanha e sofre violência de noite e de dia. A GCM (Guarda Civil Metropolitana), ao invés de proteger a cidade, bate na população de rua”[2] (Anderson Lopez –  Movimento dos Moradores de Rua).

A luta diária do morador de rua na tentativa de construir uma identidade acaba por esbarrar não só na repressão do estado como também na intolerância e preconceito do comercio local e dos moradores e até mesmo de algumas entidades religiosas que acabam por reservar o espaço sagrado da mesma a uma classe mais favorecida.

A catedral da Sé esplendorosa em sua arquitetura faz uso da prática de seguranças particulares para observar quem entra na igreja, ou seja, nem fé o morador de rua pode ter, pois se o mesmo tentar entrar na catedral no final de semana no horário da Missa freqüentada por outra camada social da sociedade ele será impedido.

“Não tem dor maior, do que ser um ser humano e ser humilhado, porque não tem condição de ter uma roupa”[3] (Carlos José –  morador de rua)”

“O rapa fica atrás da gente que mora na rua e rouba o nosso carrinho. As vezes, eles não conseguem pegar nossa carroça de dia, mas pegam a noite e jogam água na gente” (Maria Aparecida – Moradora de rua)[4]

Não muito distante da catedral em outro espaço histórico da cidade, Pátio do Colégio, outro Carlos[5] formado em arquitetura, morador de rua que por motivos de ordem pessoal acabou por abandonar tudo, tem um olhar impressionante em relação à realidade que o cerca, seja do ponto de vista de sua área de formação, seja do ponto de vista humano, o mesmo caminha por todos sem ser notado, invisível no meio da multidão tendo a certeza de que conseguir manter a cabeça erguida é difícil diante de tantas dificuldades de ser auto-afirmar enquanto individuo sendo morador de rua.

CONCLUSÃO

Apesar de nosso intento inicial ser o de concentrar nosso olhar em relação a virada cultura do estado de São Paulo, acabamos por estender nossa analise em busca de novos subsídios para que possamos construir mesmo que de maneira superficial um painel em relação ao Morador de Rua.

Sendo assim, a presença dos mesmos na virada cultural ao nosso ver acaba por ser pequena no sentido de que os mesmos por motivos por nós já mencionados acabam por ser marginalizados e estigmatizados não só pelos aparelhos repressores do estado como também pela população de forma geral, logo nosso olhar acabou por ser distanciar do contexto do evento promovido pela prefeitura da cidade e indo em direção as brechas existente na malha urbana da cidade que habita a população de rua e outras minorias.

Assim percebemos que além do submundo existente dentro do âmbito das drogas, onde os chamados guias fazem a ligação do individuo que fornece com o individuo que permanece em “segurança” junto à multidão, interessante que na maioria das vezes o guia é um morador de rua, percebemos também as mais varias formas de organização política e social dos moradores de rua através de movimentos e cooperativas, e também percebemos aqueles indivíduos que permanecem submersos em seu mundo particular se negando a pertencer à civilização “moderna” banhada de normas e condutas.

No final do século XIX um sujeito disse Eu não moro a noite me hospeda”[6], ele era um sem teto naquele momento e dormiria no metrô de Paris, ele era Paul Verlaine um dos maiores poetas franceses de todos os tempos, o mesmo que andava ao lado de outro individuo que não se vestia muito bem Rimbaud, um pouco antes ainda no século XIX um outro individuo morre bêbado em uma calçada ele era Edgar Allan Poe, já no começo do século XX um sujeito andava armado pelas ruas e vielas de Paris, foi usuário de ópio por um tempo e até mesmo acusado de participar de um roubo ao Louvre, ele era Picasso.

Realmente a miséria não poupa ninguém.

BIBLIOGRAFIA

CAILLOIS, Roger. O Sagrado de Transgressão: A Festa.

FOLLIS, Fransérgio. Modernização Urbana na Belle Époque paulista, Ed. Unesp, 2003.

FRANCK, Dan. Boêmios, Ed. Planeta, 1998.

PERIÓDICOS

O Trecheiro: Notícias do Povo de Rua, nº176, abril de 2009.


[1] FOLLIS, Fransérgio. Modernização Urbana na Belle Époque paulista, Ed. Unesp 2003, pp. 49.

[2] O Trecheiro: Noticias do Povo de rua, nº176, pp.02, abril de 2009.

[3] Idem, pp. 02.

[4] Idem, pp. 02

[5] Conheci Carlos posteriormente a virada cultural, o mesmo se encontrava no Pátio do Colégio onde eu por minha vez estava a participar de uma aula, Carlos acabou por participar da apresentação.

[6] FRANCK, Dan. BOÊMIOS, Ed. Planeta, 1998.

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Written by moravagine

setembro 17, 2009 às 7:18 am

Publicado em 1

3 Respostas

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  1. A virada cultural é um convite para as pessoas aprenderem a desfrutar o espaço e se VIRAREM dentro da diversidade que popula o mesmo. Digo mais, que as ruas, praças, avenidas também fazem parte da chamada casa e são de responsabilidade pública. A “propriedade privada” aliena o sujeito que pinta os muros de sua casa, mas não se preocupa com o lixo da rua.
    O circo chega e o circo vai, mas quem fica?
    Os jovens, alguns, se esquecem que o mundo é outro, que este se tornou a tal “aldeia globalizada”, falar em transgressão hoje em dia é romantismo pedante do pequeno burguês que vai pra rua, mas é dentro da segurança do seu gabinete que escreve. Não há mais nada a transgredir. Temos hoje que lidar com as possibilidade múltiplas, não existe um ideal único para todos. Precisamos ter mestrado e doutorado pra concluir que apesar do sujeito morar na rua, ele tem sua cultura, ele pensa, enfim, tem sua identidade? Aliás se ele existe é exatamente por ser fruto da cultura, tudo que a civilização já produziu.
    E grupo que resiste a normalização social? Ninguém acorda mendigo por consciência política e desejo contra a normalização social. Como dizia Paulo Francis, quem gosta de miséria é intelectual. Gostam tanto que na França se instalou “a nova precariedade”, jovens desempregados e revoltados com o sistema optam por viverem na cabana, sem luz, sem internet, sem carro etc. O filme Oublier Cheyenne toca nessa questão.

    humberthum

    maio 16, 2010 at 10:31 pm

  2. Sim!!!! tudo isso que você escreveu parece que estava engasgado aqui na minha garganta eu olhava envolta e via não a virada cultural, mas a probreza de espirito da sociedade e daqueles que organizaram a virada, minha ultima lembrança desta vira foi uma mulher chorando com a mão estendida, vindo na minha direção, Deus!! Onde estão os artistas e a arte? o poder já es esqueceu, a duras penas pagamos a falta de respeito que tendem a jogar em cima daqgente como bichos dentro do matadouro! o que é arte? o que a arte pode fazer e qual o sentido de fazer uma festa destas com tanta falta de respeito a todos, a fome de arte permeia a fome de vida, o centro nesta virada nnao teve vida, e cade os artistas do cotidiano da vida de sampa? onde estavam eles? onde?
    e eu que sou? deposito de quê?

    Adriane Gomes

    maio 17, 2010 at 10:38 pm

  3. Oi. Gosto muito desse aqui, pois te encontro mais crítico e realista. Gosto disso.
    Hoje enquanto tomava banho eu pensei em como eu não me importo com os outros. Nenhuma notícia ruim me abala por muito tempo. A única coisa que aperta meu coração, de verdade, principalmente nesses dias frios, são as pessoas que não têm onde morar. Isso realmente me entristece e me abala. E é isso uma das coisas que admiro em você, pois sei o quanto se preocupa com essa questão.
    Confesso que não li o post com a devida atenção pois estou quase caindo de sono, mas prometo que volto com calma (e tb percebi que ele já tem mais de um ano! Atrasadíssima, eu, né?). Só quero deixar registrada aqui a minha indignação com a hipocrisia que envolve esse evento.
    Embora a primeira intenção possa parecerer boa, não se pode ignorar que esses pobres coitados infelizmente fazem parte da paisagem de SP e são tratados ora com descaso, ora com desprezo tanto pelos organizadores quanto por boa parte dos frequantadores.
    Tudo isso para passar uma imagem de uma São Paulo defensora da diversidade e também da união dos ‘diversos’, mas que no fundo me lembra a ultima frase de A Revolução dos bichos’: “TODOS OS BICHOS SÃO IGUAIS, MAS UM SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS”.

    Soninha

    maio 18, 2010 at 2:33 am


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