Tribuna na alcova

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Pateo do Collegio

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ENSAIO POR  RAFAEL CARNEIRO

INTRODUÇÃO

Quando nos vemos diante de elementos históricos que alimentam não só nossa história mas também nosso imaginário e nossa realidade, acabamos por muita das vezes não percebendo o mesmo como tendo em si  uma representatividade histórica ou nas palavras de Le Goff (um legado a memória coletiva). Ou seja, quando deixamos de olhar para um Monumento como memória coletiva e passamos a olhar o mesmo como um cadáver adiado que procria (Fernando Pessoa), estamos fazendo tabula rasa do passado no sentido de Jean Chesneaux.

Sendo assim ainda dentro da perspectiva de Le Goff se faz necessário que o olhar para com o monumento se estenda na perspectiva de ver no mesmo as manifestações históricas intrínsecas dentro do processo de sua existência, logo, perceber determinado monumento/documento como pertencente à esfera da memória coletiva de uma sociedade é adentrar na representatividade do mesmo no sentido de se desvencilhar da visão que percebe os marcos históricos representados através de monumentos/documentos  como restritos ao passado.

“O documento não é qualquer coisa que fica por contra do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder. Só a analise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva recuperá-lo ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa”[1]

Faz-se necessário assim um dialogo entre o passado e o futuro tendo como agente o homem, ou seja, perceber a história como a ciência dos homens através do tempo na perspectiva de Marc Bloch é olhar para a realidade e a partir dela ter a sensibilidade de visualizar nos mais diversos âmbitos a representatividade da memória coletiva.

Sendo assim quando nos vemos diante do livro Pateo do Collegio de Hernani Donato percebemos o quanto se faz presente à discussão em torno da problemática que envolve o monumento como monumento e suas respectivas praticas sócias, políticas, econômicas e subjetivas no âmbito do processo histórico.

Hernani Donato nasceu no ano de 1922 no dia 12 de outubro na cidade de Botucatu, entre outras atividades foi tradutor, escritor, jornalista, professor, ocupa também a cadeira número 20 da Academia Paulista de Letras. Estudou dramaturgia na Escola de Arte Dramática de São Paulo, também estou sociologia, porém não concluiu o curso em função de outros projetos pessoais.

No âmbito profissional foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, também foi colaborador de revistas como Veja, jornais e emissoras de TV como Tupi e Record, dentre sua vasta produção como escritor podemos citar Paulistas na Guerra do Sul, Provérbios Rurais Paulistas, A Revolução de 1932, este último ganhou o Prêmio Clio da Academia Paulista de História.

Em Pateo do Collegio (Coração de São Paulo), o autor nos apresenta de forma erudita e ao mesmo tempo esteta os detalhes que marcaram a fundação da cidade de São Paulo, onde por sua vez  o Pátio do Colégio como marco fundador da cidade se fez agente principal no cenário da obra. Ou seja, Donato partiu do principio da fundação da cidade de São Paulo em 1554 através do marco fundador da mesma e trilha o caminho desde marco até o começo do século XXI.

A importância da obra se da no sentido de que ao trilhar as permanências e rupturas do Pátio do Colégio nestes quase 500 anos ele tece um complexo leque em torno da representatividade do mesmo, criando assim uma identidade em torno do marco fundador da cidade, interessante se notar que mesmo a obra sendo construída de forma cronológica percorrendo um longo tempo histórico, a mesma carrega em sim surpresas e curiosidades que faz da leitura algo interessante… Leia o resto deste post »

Escrito por moravagine

janeiro 28, 2010 em 1:52 am

Publicado em Outras portas

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FESTA…

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APRESENTAÇÃO

Ao nos depararmos com a questão das festas e dos mitos estamos imediatamente adentrando em um campo complexo, onde muitas das vezes o subjetivo é deixado de lado em prol de uma visão cartesiana que limita e castra o multifacetado campo de analise que reside no âmbito não só das festas e dos mitos como também nos mais variados caminhos do estudo humano que a antropologia trilha.

Sendo assim é de extrema importância para que se possa adentrar neste multifacetado campo de pesquisa que é o das festas e dos mitos a leitura de autores como Roger Caillois e Pierre Smith, pois ambos dentro de suas respectivas particularidades apresentam em seus textos elementos que nos remetem a pensar a cultura, a religião, os mitos e as festas com outros olhos.

Roger Caillois nasceu no dia 03 de março de 1913 na França, formou-se em Antropologia e Sociologia na École Pratique de Hautes Études onde se aprofundou no campo do sagrado e conseqüentemente da religião no âmbito na religião. Porém é importante salientar que Caillois diferentemente de muitos intelectuais não se fechou dentro de um só campo de analise, o autor francês procurou diálogos com a literatura e com o jornalismo fazendo assim seu leque de possibilidades se estender nos mais variados âmbitos de analises.

Sua vida também não se restringiu à academia e ao gabinete, ambiente natural de muitos pensadores, adentrou na realidade social que o cercava da mesma maneira que adentrou em suas pesquisas, sendo de extrema-esquerda teve que fugir da França no final dos anos 30, escolheu como destino Argentina, pais este que foi o berço de muitas de suas analises e embrião de futuras.

Entre outras podemos destacar  o Instituto Francês de Buenos Aires, e no campo subjetivo seu afastamento do mundo acadêmico. Podemos dizer que Roger Caillois é o típico intelectual amador[1] no sentido descrito por Edward Said, teórico palestino que busca através de seu olhar e da interdisciplinaridade construir um dialogo entre seu posicionamento teórica, estético, político e subjetivo com a realidade com o cerca e para isso nunca se prendendo a regras e verdades absolutas.

O SAGRADO DE TRANSGRESÃO: A FESTA DE ROGER CAILLOIS E A NATUREZA DOS MITOS DE PIERRE SMITH

Quando nos vemos diante das festas e de sua representatividade estética, social e subjetiva percebemos o quanto a mesma é complexa no sentido de se analisar a mesma, pois de acordo com Roger Caillois as festas teriam como uma de suas finalidades a transgressão das regras, libertação mesmo que momentânea de elementos subjetivos do indivíduo que acabam adormecidos no cotidiano de suas respectivas realidades sociais e morais… Leia o resto deste post »

Escrito por moravagine

janeiro 25, 2010 em 11:52 am

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A independência do Haiti

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Identidade como forma de Resistência

Ao nos depararmos com a revolta dos escravos africanos em São Domingos, estamos adentrando em um campo complexo, pois envolve não só a questão social e econômica no quais os africanos se encontravam na condição de escravo, mas também a questão da identidade do mesmo, a consciência de que não era aquilo que eles queriam para eles, logo de alguma forma procuravam uma forma de se libertar desta condição, a vida tribal que os mesmo tinham em suas respectivas tribos, suas tradições e costumes não iam sumir de uma hora para, mesmo estando em terras distantes.

A grande maioria dos africanos trazidos para a Ilha de São Domingos era da Costa da Guiné, onde se encontrava toda uma organização social, cultural e política por parte dos nativos. Logo se refletindo em uma identidade coletiva e individual em relação aos mesmos hábitos e costumes. É claro que havia mais de uma tribo, que consequentemente proporcionava uma grande diversidade tribal, mas em sua grande maioria todas elas tinham como pólo centralizador o Vodu, como religião, logo sem se perceber, havia uma identidade religiosa coletiva.

“Os escravagistas agiam predatoriamente nas Costa Guiné e, assim devastavam uma área, dirigiam-se para o Oeste e então para o Sul, década após década. Passaram pelo Nigér, desceram à Costa do Congo, atravessaram o Congo e Angola e deram à volta no Cabo da Boa Esperança, até chegarem, por volta de 1789, ao distante Moçambique, no lado oriental da África. A Guiné era seu principal território de caça”. (p.21) [1] .

Estes escravagistas viam os africanos como “peças” a serem levadas a alimentar o trafico de escravos e consequentemente a mão de obra escrava nas colônias. Mas isto não quer dizer que eles não tinham consciência da cultura e das tradições dos mesmos, eles podiam não aceitar ou até mesmo negar, mas tinham consciência, prova disto se dá em relação há arvore do esquecimento, onde antes de embarca no navio, o nativo tinha que dar nove volta nesta arvore, para não se lembrar de seu passado, ou seja, o traficante de escravos via o outro como mercadoria, mas este mesmo “outro”, tinha que deixar para trás todo o seu histórico de vida para trás. Leia o resto deste post »

Escrito por moravagine

janeiro 15, 2010 em 10:24 am

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A oralidadade e suas particularidades no âmbito da cultura africana

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A TRADIÇÃO VIVA

 

RESENHA

Por: Rafael Carneiro

 

Ao nos debruçarmos sobre a questão da tradição estamos adentrando em um campo complexo, onde muitas das vezes a subjetividade se faz mais eficaz que a chamada “razão ocidental”, pois partindo da analise que cada individuo e consequentemente à cultura que faz parte, carrega dentro de si um mundo particular alimentado por sua vez  por um enorme leque de possibilidades e de experiências não só pessoais e coletivas, faz  do mesmo um agente particular que mesmo pertencente a uma coletividade, carrega os traços de sua autonomia representados nas suas respectivas ações no âmbito de seu cotidiano.

Neste sentido quando A. Hampaté Bâ nos apresenta a questão da Tradição viva na África, percebemos o quanto que é importante a representatividade do individuo para com sua tradição, no sentido do mesmo ser um agente em ação na manutenção da mesma, a partir das mais variadas formas de expressão culturais. Leia o resto deste post »

Escrito por moravagine

novembro 30, 2009 em 11:59 pm

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A vida verdadeira de Domingos Xavier

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Literatura Africana

Identidade e Cultura

Por: Rafael Tadeu Carneiro

Ao nos depararmos com a questão da literatura, estamos imediatamente adentrando em um campo complexo, pois a mesma é alimentada por questões sociais, culturais, econômicas, políticas e subjetivas.

Sendo assim ao analisarmos determinada obra literária estamos nos debruçando sobre fatores que vão além de rotulações estéticas, sendo assim, podemos afirmar que a literatura é uma das formas de se afirmar a cultura e a identidade de um povo, por outro lado a mesma também pode ser usada para negar e castrar outras.

Dentro deste âmbito de analise, percebemos ao analisar a obra de José Luandino Vieira (A vida Verdadeira de domingos Xavier), que a questão da identidade está presente de forma muito forte na obra do autor angolano, sendo assim, se faz necessário antes mesmo de adentrar nas especificidades da obra, uma maior clareza em torno do autor.

José Luandino Vieira é o pseudônimo literário de José Vieira Mateus da Graça, nasceu em 04 de maio de 1936, na Vila Nova de Ourém, em Portugal, aos três anos de idade se muda com a família para Angola.

Luandino no solo africano alimentará e lutará em prol da reafirmação da identidade angolana, para isso ele adentrará em questões que fazem parte da história, do cotidiano e do imaginário dos moradores de Luanda, sendo assim a permanência de Vieira junto aos musseques[1], será de grande importância para sua produção literária, porém a convivência do autor para com os bairros periféricos de Luanda se estende à questão literária, pois foi nos musseques que José Luandino Vieira se viu como angolano, e conseqüentemente, se viu no direito e na obrigação de lutar em prol da identidade de ser africano, de ser Angolano. Leia o resto deste post »

Escrito por moravagine

outubro 7, 2009 em 5:53 pm

O olhar e suas representatividades

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Londres e Paris no século XIX:

O espetáculo da pobreza

Resenha

Rafael Carneiro

Ao nos depararmos com a história e suas diversas formas de analises, imediatamente estamos adentrando em um campo complexo, onde na maioria das vezes as particularidades que envolvem a mesma são deixadas de lado.

Neste sentido quando a questão da multidão é vista no âmbito da analise histórica, e a presença do individuo representado em seu respectivo cotidiano é colocado como algo constituído a partir de elementos culturais, sociais, subjetivos e historicamente definidos presentes na esfera do cotidiano no âmbito político, adentramos quase que imediatamente na representatividade que a multidão exerce na varias interpretações que se cria em torno da mesma.

Daí que se da à importância do trabalho de Maria Stella M. Bresciani, a autora de Londres e Paris no Século XIX: O Espetáculo da Pobreza é professora de História na Unicamp desde 1974, tendo participado da criação do Departamento e do Mestrado em História dessa Universidade. Graduada em História na FFLCH da USP onde obteve também o titulo de doutor, com uma tese sobre a formação do mercado de trabalho e a criação do Estado liberal republicano no Brasil.

Maria Stella, a partir de textos literários, investigadores sociais, médicos e administradores, percorre a questão da multidão no sentido de analise histórica, logo, nos possibilita ter acesso as varias imagens que os homens do século XIX, tem da sociedade, onde a questão da pobreza ganha uma maior visibilidade por está presente em todos os âmbito da sociedade, direta ou indiretamente.

O cerne de suas argumentações se dá em relação à representatividade da multidão para os literatos do século XIX, suas argumentações dão inicio tratando o fascínio e o terror presentes nas ruas de Paris, onde o reagir e não mais o agir toma proporções nunca vista antes.

Para isso usa em um primeiro momento do olhar estético de Charles Baudelaire para adentrar nas ruas e seus personagensNas ruas de Paris, milhares de pessoas andando em marcha rumo às necessidades presentes dentro de suas respectivas realidades, onde o grande centro serve de palco para esses deslocamentos, centro este que acaba por anular o individuo enquanto individuo, no sentido do mesmo ser visto apenas como uma massa que parece não perceber a realidade que o cerca, se tornando só mais um no meio da multidão. Leia o resto deste post »

Escrito por moravagine

setembro 29, 2009 em 11:39 am